quarta-feira, 22 de setembro de 2010

ANA LÚCIA


- Será você, querida?Que peitinho doce. Não mais que Ana Lúcia naquela calcinha de renda. Beleza européia. Seria a maquiagem borrada ou o cabelinho de puta. – Nossa! Que boca linda! - lá em casa nas paredes solitárias, nenhuma saia, mas olhos claros e música boêmia. De noite, tem noite que seu fantasma vaga pelo corredor feito fantasma de cemitério. – Amor... tire a calcinha. Quero cheirar essa coisinha. – mas que delícia essa Ana Lúcia. Ela fazia de tudo. Deusa nos lençóis, ou filha da perdição, não sabe do amanhã. Fim de noite, não sei mais como agradar essa mulher. Nada de festinhas, todas foram experimentadas. Mas a desgraçada ficava com beijinhos no pescoço. Não era como as outras. Tomamos os mesmos trajetos quando já não havia gritos e vaidades. Eu com a coragem dos pervertidos e ela com sua liberdade colegial. Também freqüentávamos os mesmos bares para a minha alegria, tinha até umas amigas. Não eram como ela. Passos levam ao castigo de rua, rua triste, casas solitárias e um velho ainda mais. Subo as calças sem erguer o olhar cuidadoso, preso um cinto meio claro. Entre o sol da manhã criaturas escandalosas, cantam, vendem e até riem feito pessoas, e... também tem aqueles que chegam perto, eles dizem qualquer coisa. Por isso o meu bigode! Como a casa as janelas ficam visíveis. Agora sabem o que faço. Se uso camisa para fumar, ou se tenho alguma a quem recorrer. Maldita cidadezinha. Sabem que como puta, e elas também sabiam disso. Ultimamente só uma, aquela do peitinho doce. Ah! Que mulher! Que corpo o da Ana Lúcia, toda lisinha, fazia o tipo jovial. Nunca tinha pegado uma. Não sabia o quanto era boa a japinha.

P. Viajei

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