quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Anjo Vermelho



Naquele anjo tinha vermelho. Por nenhum motivo poderia ser batom, ou estampa floral. Nada disso. Uma coisa que, por fim, acumulava-se em poças de sangue. Seus pés... nem mesmo estes o encontravam. Força do hábito. Uma aparência escurecida transparecia em todo e qualquer caso investigativo, ou de um vil assassino. Prostitutas, traficantes, homossexuais... um ambiente produtor de crimes, até mesmo... uma mente fria? Quem sabe. Mas... Como poder ignorá-la? Pareciam um pouco azuis, quase claros, só não tão especiais quanto uma vagina aloirada. Um pouco mais alto olhava as fendas enormes, seria somente um caso se não regugitasse a palavra “psicopata”. Um relatório policial? Logo viraria capas de revistas! Certamente outro caso de psicólogos: “Quem matou a piranha?” Será o policial Peixoto, único suspeito do local? Acho que não. Com aquela barriga só as cervejas estavam em perigo. Este cadáver incômodo. Claro que não poderia trepar! Por acaso não sentiria vontade se apertasse aquele par de seios? Aqueles dois melões macios que te torturavam desde o momento da entrada? Mas não é assim! É? Foi o que pensei. Ela iria pensar... já não basta ser alcoólatra. Ainda bem que está morta! As sirenes soavam por todo o quarteirão, também os burburinhos lá em baixo. Qual o motivo da raiva? Aquilo era medo, certamente, não queria ter feito, mas, estava muito louco para evitar, uma mesa redonda cheia de pó, o quarto até que tinha jeito. Como é mesmo o nome daquilo? Por alguns momentos os policiais tentam contato pelo rádio, logo estariam na escada. É... os tabefes pareciam ser divertidos. Cachorra! Quem sabe até... não sei. Poderia haver outros encontros. O policial escuta seu nome a porta. - Peixoto! Policial Peixoto! – ficou um momento relutante com quem poderia ser. Isso! Cuspa no chão policial, Peixoto, xingue o infeliz, esse playboyzinho cheio da nota vai te caçar até a morte. - Deixa pra lá, cara. Você está cansado, e não se esqueça do seu coração, já tomou o remédio hoje? – Policial Peixoto! Aqui é o tenente, abra essa maldita porta! – ele tinha comparsas e estavam armados. Droga, Peixoto, assim ta difícil. Esquece esse lance de aposentadoria e dá um jeito nesses caras. - Vamos parar de amolação e abre logo. – ele abriu. Olha que corpo lindo eles estão olhando, Peixoto, nem sua mulher tem o corpo assim. Claro que não. Ela só tem umas próteses que você ainda está pagando, aliás, ficaram horríveis. Tudo torta, tudo exagerado. Mas, você gosta de morder aquelas borrachas, claro né, sua queridinha esposa. Após tirarem o nó do pescoço o corpo desceu. Cadeiras foram postas para tirarem a vítima. Nenhuma palavra, só um olhar cabisbaixo. – O que é que aconteceu aqui? Eu vi que você não tira os olhos da vítima.

- Na verdade... dos peitos.

- Hum... dos peitos também! E então! O que você acha, que houve? – Ele não acreditava estar tendo aquele tipo de conversa na frente de um cadáver. - Será que estaria muito cansado para um café? Pega o dinheiro lá na cozinha, mas vê se não demora se não eu te prendo por desacato! Eles riram. O dinheiro estava próximo ao fogão, era o único remédio para se safar, já que as idéias não estavam ajudando. Pegou uma luvinha com um dos investigadores e abriu a válvula.

ANA LÚCIA


- Será você, querida?Que peitinho doce. Não mais que Ana Lúcia naquela calcinha de renda. Beleza européia. Seria a maquiagem borrada ou o cabelinho de puta. – Nossa! Que boca linda! - lá em casa nas paredes solitárias, nenhuma saia, mas olhos claros e música boêmia. De noite, tem noite que seu fantasma vaga pelo corredor feito fantasma de cemitério. – Amor... tire a calcinha. Quero cheirar essa coisinha. – mas que delícia essa Ana Lúcia. Ela fazia de tudo. Deusa nos lençóis, ou filha da perdição, não sabe do amanhã. Fim de noite, não sei mais como agradar essa mulher. Nada de festinhas, todas foram experimentadas. Mas a desgraçada ficava com beijinhos no pescoço. Não era como as outras. Tomamos os mesmos trajetos quando já não havia gritos e vaidades. Eu com a coragem dos pervertidos e ela com sua liberdade colegial. Também freqüentávamos os mesmos bares para a minha alegria, tinha até umas amigas. Não eram como ela. Passos levam ao castigo de rua, rua triste, casas solitárias e um velho ainda mais. Subo as calças sem erguer o olhar cuidadoso, preso um cinto meio claro. Entre o sol da manhã criaturas escandalosas, cantam, vendem e até riem feito pessoas, e... também tem aqueles que chegam perto, eles dizem qualquer coisa. Por isso o meu bigode! Como a casa as janelas ficam visíveis. Agora sabem o que faço. Se uso camisa para fumar, ou se tenho alguma a quem recorrer. Maldita cidadezinha. Sabem que como puta, e elas também sabiam disso. Ultimamente só uma, aquela do peitinho doce. Ah! Que mulher! Que corpo o da Ana Lúcia, toda lisinha, fazia o tipo jovial. Nunca tinha pegado uma. Não sabia o quanto era boa a japinha.

P. Viajei