domingo, 20 de setembro de 2009

new criticism

Você faz versos
inversos
muda os sentidos
reversos
referidos
diversos
escritos
dispersos
ditos
nos versos
cria excessos
incertos
nos verbos
de versos
poesia.
P.Viajei

Ken park



Rimbaud



quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Arte Erótica





Os primeiros registos da arte erótica remontam a pré-história, com reproduções da vida quotidiana representadas pelo homem nas cavernas. Inicialmente assistia-se a gravuras que descreviam os animais no seu habitat natural procurando acasalar, posteriormente foi introduzida a silhueta humana e o elemento da criação.

No Paleolítico encontram-se as primeiras

representações do feminino, tendo sido as primeiras descobertas na Europa. Tratavam-se essencialmente de imagens esculpidas na pedra, representando uma mulher de seios grandes abdómen proeminent

e enquanto símbolo da gravidez e fertilidade.

Na maioria, estas esculturas encontradas no período da pré-historia, mais do que o elemento erótico, tinham enfoque nos objectivos de sobrevivência, tais como a caça, agricultura, animais ou pastoreio.

Avançando no tempo, encontramos a trocar do enfoque na sobrevivência através da procura de alimento, para a sobrevivência através da reprodução da espécie, com as representações a caminharem para uma definição maior do ser humano, do feminino e ostentando

símbolos de fertilidade.

Na Grécia, Roma, Egipto e Índia, há uma clara orientação para o belo. Procuram representar o corpo perfeito, atraente e a exaltação do erótico e sexual, na maioria em ambientes propícios a pratica sexual.

Por sua vez, os símbolos fálicos, associam-se a fertilidade, família numerosa e consequentemente poder e protecção.

As posturas das imagens representadas submetem o observador a ideia de carinho, desejo e coito através de uma representação explicita da ideia.

Nesta altura o erotismos floresce e os artistas alimentam as suas criações, cada vez mais explicitas, como representações claras de desejo e coito.

Um dos expoentes máximos da arte erótica é a literatura que passou a conferir o poder do leitor desejar e sonhar com o erotismo e até mesmo descobrir o seu próprio sentido sexual e erótico.

Encontramos textos eróticos nas obras de Fernando Pessoa [carece de fontes], Florbela Espanca, Bocage, Aristófanes, Ovídio, Júlio Ribeiro, Marquês de Sade etc.

Também na música se encontra expressões de erotismo, principalmente através da dança.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Arte_er%C3%B3tica

Zé da Luz



Ai! Se sêsse!...


Se um dia nós se gostasse;
Se um dia nós se queresse;
Se nós dos se impariásse,
Se juntinho nós dois vivesse!
Se juntinho nós dois morasse
Se juntinho nós dois drumisse;
Se juntinho nós dois morresse!
Se pro céu nós assubisse?
Mas porém, se acontecesse
qui São Pêdo não abrisse
as portas do céu e fosse,
te dizê quarqué toulíce?
E se eu me arriminasse
e tu cum insistisse,
prá qui eu me arrezorvesse
e a minha faca puxasse,
e o buxo do céu furasse?...
Tarvez qui nós dois ficasse
tarvez qui nós dois caísse
e o céu furado arriasse
e as virge tôdas fugisse!!!
Deixou a face do lençol
quase que a sorrir
deixou a roupa sobre o chão
e assim, veio até mim.

Tirou-me do sufoco
nesses dias de miséria
tirei-lhe mais um pouco
além do vinho e cobertas.

Fique toda a noite
e que seja primavera
fique mais um pouco
e te chamam quenga véia.

P.Viajei
Vejo arder em teus olhos
só o desejo,
dê-me um só instante
para que seja perfeito.

Cálido seio
nessa imagem fria
de pernas sobre pernas,
uma só alvura.

Vem do sorriso
labios abafados
sinto nos lábios
face sobre as pernas.

P.Viajei

Verso em Verso II






Escorre e corre,

muito depressa escorre

corre e vai

liberdade na sua

corresponde ao vento

da sua venta escura

vida na sua

liberdade devida



Se ocorre o sol ,

morre você

pra ver onde cai

corre você,
veio ver

sem Cheirar ele?

fechando-se os olhos dele,

senti-lo

bem namora a cinza flor,

pouco brilho

sem espinho que fura.



Não amor

Agora morre,
morrer?

Não amor

morre forte,
esquecimento

morre pra não matar,

pra não amar

palavras de versos,

até loucura

que bom seria

poesia
fosse dia.


P.Viajei

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Como você
assim que
pudesse
como você
quando amanhece

quando você
no quarto
estivesse
quatro vinhesse
como você
e
com você.

P.Viajei

Ana Cristina César



Aventura na Casa Atarracada

Movido contraditoriamente
por desejo e ironia
não disse mas soltou,
numa noite fria,
aparentemente desalmado;
- Te pego lá na esquina,
na palpitação da jugular,
com soro de verdade e meia,
bem na veia, e cimento armado
para o primeiro a andar.

Ao que ela teria contestado, não,
desconversado, na beira do andaime
ainda a descoberto: - Eu também,
preciso de alguém que só me ame.
Pura preguiça, não se movia nem um passo.
Bem se sabe que ali ela não presta.
E ficaram assim, por mais de hora,
a tomar chá, quase na borda,
olhos nos olhos, e quase testa a testa.

Olavo Bilac

Olha-me!

Olha-me! O teu olhar sereno e brando
Entra-me o peito, como um largo rio
De ondas de ouro e de luz, límpido, entrando
O ermo de um bosque tenebroso e frio.

Fala-me! Em grupos doudejantes, quando
Falas, por noites cálidas de estio,
As estrelas acendem-se, radiando,
Altas, semeadas pelo céu sombrio.

Olha-me assim! Fala-me assim! De pranto
Agora, agora de ternura cheia,
Abre em chispas de fogo essa pupila...

E enquanto eu ardo em sua luz, enquanto
Em seu fulgor me abraso, uma sereia
Soluce e cante nessa voz tranqüila!

Florbela Espanca



Ambiciosa


Para aqueles fantasmas que passaram,
Vagabundos a quem jurei amar,
Nunca os meus braços lânguidos traçaram
O voo dum gesto para os alcançar ...


Se as minhas mãos em garra se cravaram
Sobre um amor em sangue a palpitar ...
__Quantas panteras bárbaras mataram
Só pelo raro gosto de matar !


Minh’ alma é como a pedra funerária
Erguida na montanha solitária
Interrogando a vibração dos céus !


O amor dum homem ? __Terra tão pisada,
Gota de chuva ao vento baloiçada ...
Um homem ? __Quando eu sonho o amor de um Deus ! ...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Bocage

Temo que a minha ausência e desventura
Vão na tua alma, docemente acesa ,
Apoucando os excessos da firmeza.
Rebatendo os assaltos da ternura :

Temo que a tua singular candura
Leve o tempo fugaz, nas asas presa
Que é quase sempre o vício da beleza,
Gênio imutável, condição perjura:

Temo ; e se o fado meu, fado inimigo
Confirmar ìmpiamente este receio ,
Espectro perseguidor, que anda comigo,

Com rosto, alguma vez de mágoa cheio ,
Recorda-te de mim, dize contigo :
'era fiel, amava-me e deixei-o "

Alberto Caeiro



É Noite

É noite. A noite é muito escura. Numa casa a uma grande distância
Brilha a luz duma janela.
Vejo-a, e sinto-me humano dos pés à cabeça.
É curioso que toda a vida do indivíduo que ali mora, e que não sei quem é,
Atrai-me só por essa luz vista de longe.
Sem dúvida que a vida dele é real e ele tem cara, gestos, família e profissão.

Mas agora só me importa a luz da janela dele.
Apesar de a luz estar ali por ele a ter acendido,
A luz é a realidade imediata para mim.
Eu nunca passo para além da realidade imediata.
Para além da realidade imediata não há nada.
Se eu, de onde estou, só veio aquela luz,
Em relação à distância onde estou há só aquela luz.
O homem e a família dele são reais do lado de lá da janela.
Eu estou do lado de cá, a uma grande distância.
A luz apagou-se.
Que me importa que o homem continue a existir?


Bocage

Já se afastou de nós o Inverno agreste

Envolto nos seus húmidos vapores ;

A fértil Primavera , a mãe das flores

O prado ameno de boninas veste :


Varrendo os ares o subtil nordeste

Os torna azuis : as aves de mil cores

Adejam entre Zéfiros, e Amores,

E torna o fresco Tejo a cor celeste ;


Vem, ó Marília, vem lograr comigo

Destes alegres campos a beleza,

Destas copadas árvores o abrigo :


Deixa louvar da corte a vã grandeza:

Quanto me agrada mais estar contigo

Notando as perfeições da Natureza !

Correndo da velha


Era de tarde no Sergipe. Com o salário, fiquei pensando na vida e, até resolvi não economizar na cachaça. Os homi daqui se sentam pra joga baralho, buscam superar a velhice. Algo que os agrade. A criançada corre, tudo com o chinelo amarelo e short sem camisa. Continuam de lumbriga no buchão. - Onde estão seus pais, garoto? - ele me aponta um dedo nojento, dizendo: – Meu pai está aqui, ó! - não deixei barato! Com um tabefe na fuça, corri! Comprei meus cigarros pra relaxar. – Voti! O moleque fugiu!Escuto umas conversas acabrunhadas lá no bar. Volto pra minha vida de escola, vendo lá da rua as rapariguinhas sorrindo. Adiantadas nas roupas chiques, sem o bucho quebrado. - Mais afinal, aonde você sempre vai nos finais de semana, em homi do céu? – pergunta a minha véia impaciente. – Ah! Cala a boca diacho! Sempre se metendo onde não é chamada - quando nos cruzávamos, ela vinha com essas conversa. - Deixa de ser besta moço! - fofoqueira dos infernos. Sempre o que escutava, depois... achava graça. Quietinha, ia toda farceira pra vizinha, sem minha permissão da sabência.- É sempre bom revê-la Maria José! – Comentando as fofocas dos outros lá da rua. - Sabia que... mesmo assim, continuava a me ignorar. - Um moleque besta tacou bombinhas no furico do gato.- Ninguém ficou sabendo?- Não mulher de Deus, mas quando foi isso?Essa velha era a mais atrevida. Passava as noites em portas de lares, apagada vergonha na cara. Maria José era outro traste depois da véia, minha mulher. Abre e Fecha. Aquelas bocas me traziam arrepios. Carlos contava-me que a maioria de seus fregueses, não mais iam no bar por conta das más línguas. - Hômi! Isso é pior que mulher de igreja! - Se não reza, só roga praga!- Há! Há! Há! - Essa coisa tá ficando séria.Ié?Aquele bando de cachaceiros, sabe! Sei! - respondendo o marido da língua maldita.Qual é a pessoa que eles mais odiariam tê-la como inimigo!- Quem? – Perguntei espantado.Sorrisos voavam pelo ar.


P.Viajei

domingo, 13 de setembro de 2009

Conta aí


As paredes estavam prestes a presenciar não só as negras profissões da idade, já que por um momento, a tarde prometia ser perfeita. - Cara! Quem é essa mina? - se surpreendia, Manel. Um cão sarnento que sempre me acompanhava com um trabuco do tamanho de um taco, até o fim da avenida mais próxima, porém, naquele momento, tudo tinha mudado. Ele parecia não se importar de ter novas ranhuras no portão de casa. Era algo surpreendente, pois, um tempo atrás, ele atropelou uma velhinha só porque ela não passou na faixa de pedestre. - Bom! - voltando-se ao assunto que procurava, numa boca trêmula que exibia o pistoleiro. A lata cai de minha mão e, sorrateiramente me ignora, fazendo qualquer trapaça, para também, se assegurar com tamanha visão.
Quando ao solo fui me esgueirando para pegá-la, logo vi o quanto era confortante, já que ela vinha em minha direção. O momento fora incrível. Duas
enormes pernas morenas e lustrosas, marchante na...

No meio dos pés escorados
vejo essa vida passageira
numa música cantada
sentando a mão prazenteira
na fumaça do cigarro
e nas modas violeiras.

E pra cada namorada
Uma rosa do meu desejo
a mais bonita que tiver
dou-lhe também um beijo
e se quiser, melhor ainda!
Pois, no quarto eu te vejo!

Nos tragos, eu com os cabras
depois das onze se espalha
e o cheiro azedo fabrica
o mal estar que a vida estraga
quando põe na nossa frente
um boteco de estrada.

P.Viajei

sábado, 12 de setembro de 2009

Emocionados, trabalhávamos juntos. Mas, depois de uma
carícia penetrante, ele dizia:'Como isso te soará engraçado quando eu não
estiver aqui, isso por que passaste. Quando não tiveres mais meus braços em
volta do pescoço, nem meu peito para nele descansares, nem minha boca
fechando-te os olhos.

Arthur Rimbaud
Uma temporada no
inferno

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Dá-me tu novas
suas, ó luas dos três rostos, que talvez a estejas agora mirando com inveja... a
ela, que, passeando por algumas galerias dos seus suntuosos paços, ou debruçada
do peitoril de alguma varanda talvez

esteja considerando como há de, ressalvada a sua honestidade e
grandeza, acalmar a tormenta que por ela este meu atribulado coração padece, que
glória háde dar às minhas penas, que sossego ao meu
cuidado,

e finalmente que vida à minha morte, e que prêmio aos meus
serviços.


Dom Quixote
(Cervantes)Pág. 293


quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Vejo os teus olhos neste mar profundo
entregues a doses de igual silêncio
que aliam no meu falso exulto! Sorte!
O embevecia, serena como a morte.


Dessas ilusões noturnas, só o presságio
Tenta livrar-se ainda, de um naufrágio
o vulto pagão! Chamai-me, o cão encarnado!
Aventuroso seio aos crimes bárbaros.


Se a tudo cair exílio, pegue o luto
também terá motivo a vida breve
quando entristece, a pálida alma escuto.


Sem a ventania nua, neva muito leve
ela leva minha bruma ao alto véu
o alto supremo que traria o céu.


P.Viajei

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Subúrbio

Quando bebia, mergulhava nas noites de Carmem. Cinco anos se passaram desde os carregadores de assalto que fugiram das quadrilhas rivais. Não mudou muita coisa. Calçadas ainda consomem vagabundos à espera de serviços, ou ao menos esperam completar os cargos que são mais podres que o próprio caráter. Isso é genial. Ser vagabundo. Então... sei que não é bom alimentá-los mas... As avenidas são de mulheres lindas que até fumam como burguesas, algumas entretanto, metem-se em roubos sem sucesso, ou coisa parecida. Andam com maquiagens pesadas numa frieza européia, guardam pistolas e também canivetes, não se é capaz de roubar-lhe nem mesmo a beleza quando carregam a proteção do crime, embora sentissem algum receio dos velhos brancos da cidade próxima. Qualquer coisinha e... adoram processar deliberadamente. Fosse vadia ou não. - Cara! Você não quer me pagar! - Carmem. Latina de sangue quente. Parava as noites dos comerciantes com seus decotes arrojados e um pedaço de pano que costumava chamar de saia. - Um cheiro de sangue renova a alma! - Exclamou o chefe enquanto dava uma lição no quase defunto. - Fecha essa porta, Ferreira! - Logo desculpei-me observando o corpo moreno da mamacita, totalmente exposto a luz numa libertina cadeira encostada sobre a mesa. Assim que o cliente das 20:00 chegasse, essa era a visão que o sortudo teria, um corpo nu... já de cara. Qual homem não apreciaria uma visão que de tão perfeita seria, portanto uma coisa do inferno. Bom... primeiro os olhos cairiam, depois a boca, o resto a cama faz. Ele apreciaria cada detalhe se não fossem alguns machucados feitos pelo das 19:00. Não pude deixar de notar o contorno dos lábios. Eram morenos como os muros dos guetos que possuíam as mais negras pichações. Olhando discretamente percebi uma tatuagem. Era mesmo uma tatuagem como já ouvira falar, só que não entendi o restante por razão dos pêlos. - Anda Cabron! Tira esse verme daqui! – levei o meliante forçando-lhe a garganta até um ponto distante e pouco movimentado, despedi-me. Pois um belo soco no estômago... pensei. Impossível continuar quando uma viatura aproximava-se, até que seja ao longe. Isso eu não poderia, comprometeria o serviço. Mesmo sabendo de uma velha parceria que nos isentava de certos delitos. Subi para vê-la ou escutar sua voz caliente que já ressoava no final da escada traduzindo-se em palavrões estrangeiros, mas que certamente não eram para um bom sujeito e sim merecidas a patifes que a essa hora deveriam estar em outros comércios. Pensava em abraçar-lhe antes de partir, mesmo assim entrei no seu quarto para consolar-lhe, o que no momento acabou resultando numa noite perfeita. Tive uma imensa vontade de retornar ao seu quarto para um último adeus. Após uma descida momentânea, ficava com a linda imagem sulamericana. Pensava comigo na cor dos lençóis e de encontrá-la sobre eles. Pensava também no sorriso que havia marcado uma xícara com sua estonteante boca e que não lhe saíra da mente. Mas... tudo fora por água abaixo quando descobri que o espancador havia voltado e deixava uma recado. Percebi isso através de furos na parede e um copo banhado em sangue. O desgraçado acertou bem na testa de Carmem. Por um momento tive um interesse repentino. Um pouco doentio, confesso, já que naquele instante deveria estar mais atônito com o ocorrido. O meu interesse foi por sua tatuagem, que no ato libidinoso não havia reparado. Sua tatuagem ou o fim da existência. Me aproximando daqueles lençóis que não mais eram brancos e de um corpo que com tanto sangue empalidecera, e ainda assim pude ver com toda a nitidez o que dizia na região impagável:“La vida loca”.